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Notas do Raul (vinhos e gastronomia)


O blog está mudando de endereço: http://notasdoraul.blogspot.com/

Espero vocês lá. Obrigado,

Raul

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 18h04
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Este blog agoara faz parte da comunicadade Enoblogs - Blogs nidos pelo Vinho. Conheça clicando aqui www.enoblogs.com.br



Escrito por Raul Fagundes Neto às 11h31
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Brancos

Gosto, cada vez mais, de vinho branco e hoje concordo com os que afirmam que quem não gosta dos brancos não conhece, de fato, vinho. Nada combina mlehor com nosso clima.

O que é muito bom nos brancos é sua versatilidade. Pegue, por exemplo, um Alvarinho português. Combina com aperitivos de piscina, com peixes e frutos do mar, com saladas. Ficando apenas no Velho Mundo temos os leves Muscadets e Sancerres do Loire (França), os Sauvignons Blancs de Bordeaux, os Albarinhos e Viuras da Espanha. E ainda os italinaos de várias regiões, feitos com uvas autoctones ou internacionais, além, é claro, dos refinados Borgonhas.

Aí vão algumas recentes descobertas, ambas portuguesas:

- Alvarinho Auratus 2006, R$ 55,00, Grand Cru

- Duque de Viseu Branco, Sogrape, Dão, R$ 45,00, Zahil



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h36
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Goiabada

Adoro goiabada. Lembro até hoje quando minha mãe encomendava para meu pai goibada caseira de uma senhora da cidade de Monte Alegre do Sul (interior de SP e ao lado de Amparo, onde nasci). Era cremosa, pura, perfeita. Só de pensar lembro de seu aspecto e até do cheiro. Infelizmente a senhora já faleceu e a goibada perfeita ficou apenas em minha memória.

Mas acho que encontrei algo parecido, direto de Minas Gerais. É a goiabada Querença, que conheci há alguns anos em minhas idas para Belo Horizonte e que recentemente ganhei de presente de um cliente, mineiro, é lógico. Fantástica, cremosa, com gosto de infância. Vem em uma bonita lata.

Não vende em qualquer lugar, não. Até em BH é difícil. Em SP eles tinham, até pouco tempo atrás, um represente, mas chequei no site e parece que não tem mais. Quem quiser tem que encomendar direto deles:

Fazenda Querença,   (31) 2773-2538  , www.fazendaquerenca.com.br

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h20
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Carne

Sempre fui fã da churrascaira/restaurante Varanda. Isto muito antes de conhecer seu proprietário e hoje meu amigo Sylvio Lazzarini. Conheci o local alguns anos atrás, lendo uma artigo do Titã Marcelo Fromer no Estadão, publicado pouco tempo antes de sua trágida morte por atropelamento. Na época, minha mulher me convenceu a conhecer a casa. Confesso que não estava muito entusiasmado, mas me surpreendi e me tornei cliente do que considero hoje a melhor steak house do Brasil.

Além do Varanda o Sylvio também é sócio da Intermezzo, uma distribuidora de carnes de alto nível que abastece dezenas de restaurantes em Saõ Paulo e no Rio de Janeiro, além dos consumidores finais. Lá tem os cortes que comemos no Varanda, como Porter House, Ribeye, Ancho, Bife de Chorizo e até Kobe Beef. E é por causa disso que escrevi essa nota.

No final de semana do Carnaval resolvi comprar alguns cortes especiais de carne na Intermezzo para um churrasco que fiz para um casal de amigos. Levei o Porter House (sem osso) e o Ribeye. Fiz na churrasqueira, apenas com sal grosso moído e acompanhado de salada. Que maravilha! Um sucesso. Meus convidados nunca tinham comido nada igual. "Nunca mais compro picanha em promoção", disse meu divertido amigo.

Recomendo. Não é barato (e nem poderia), mas certemente vale cada centavo desta pequena extravagância.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h01
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De volta!

Estou de volta após longos seis meses. Peço desculpas aos leitores do blog, mas prometo, a partir de agora, tornar esse espaço mais dinâmico. Obrigado.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 16h43
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Malbec x Malbec


Sou um crítico dos Malbecs argentinos. Não de todos, é lógico, mas sim daqueles com muita fruta, muita madeira, muito álcool, muito potentes, enfim, enjoativos. Os vinhos “geléia de frutas” que alguns críticos comentam. Acho que o problema está na linha média, e, claro, na básica, já que entre os vinhos mais caros, a maioria realmente tem qualidade.

 

Mas e os Malbecs franceses da região de Cahors? Já ouvi de tudo sobre eles. Uns falam que são muito superiores aos argentinos, outros dizem que são vinhos rústicos, sem graça...

 

Nunca tinha experimentado um Malbec da França até a semana passada. E o fiz justamente depois de tomar, um dia antes, um Malbec argentino. São coisas totalmente diferentes e devo dizer que, mais uma vez, sou mais a França.

 

O argentino foi o Zuccardi Série A Malbec 2006, de Mendoza, que ganhei recentemente. Bebi o vinho acompanhando um churrasco de picanha. É um vinho normal, como dezenas que encontramos por aí entre os rótulos vindos do país vizinho. O tipo de vinho over, onde sobra tudo e falta elegância. Custa R$ 55,00 na Expand.

 

O francês foi o Château Pineraie 2001, de Cahors, que tomei acompanhando um cordeiro assado com batatas. Embora não seja um grande vinho, mesmo porque seu custo é bem acessível (por volta de R$ 60,00 no Club du Taste Vin), é um vinho correto, com boa acidez e corpo, fruta e madeira na medida certa, elegante.

 

Foi interessante comparar os Malbecs dos dois países, pois além da pouca oferta de franceses desta cepa por aqui, os Malbecs não têm fama fora da Argentina, embora existem vinhos produzidos com ela em outros países, como o Chle, por exemplo. Seria ótimo repetir a dose, agora de forma mais estruturada, com vinhos da faixa mais alta, colocando frente a frente um top argentino (Catena Zapata Estiba Reservada, Achaval Ferrer Finca Altamira, Val de Flores etc.) contra um Château du Cedre Lê Cèdre (R$ 220,00 na World Wine), por exemplo. Seria uma bela prova!



Escrito por Raul Fagundes Neto às 13h53
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Cordeiro dos deuses com show de Shiraz australianos


A casa de carnes Varanda foi palco na semana passada de uma noite especial. A convite do proprietário da casa Sylvio Lazzarini, eu e um grupo de companheiros fizemos uma dupla degustação: cortes de cordeiro com Shiraz top da Austrália. Foi um show!

 

Para começar, o Cordeiro.  Inquieto e sempre em busca do melhor para sua casa, Lazzarini encontrou e está trazendo para o Varanda, diretamente do Sul do Chile, na chamada Terra Del Fuego, um produto de altíssima qualidade, os cordeiros da marca Simunovic. Degustamos três cortes ótimos: paleta, pernil e costeleta. Posso dizer, com certeza, que foram as melhores carnes de cordeiro que já comi, especialmente a paleta. Sem igual.

 

Para acompanhar as carnes, fizemos uma degustação de Shiraz australianos. E aí a coisa ficou mais séria ainda. Passaram por nossa mesa Mitolo Reiver 2005, D’Arenberg The Dead Arm 2003, Penfolds RWT 1998, Penfolds Grange 2002 (isso mesmo!!!!) e St. Hallet Faith 2002.

 

Todos os vinhos eram relativamente jovens e poderiam envelhecer muito bem por vários anos, mas já estavam excelentes. A disputa foi muito equilibrada (na nota dos degustadores, a diferença entre os cinco vinhos foi de 3 a 4 pontos, no máximo), mas o Grange e The Dead Arm estavam imbatíveis.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h48
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Degustações


Junto com um grupo de amigos participo regularmente de degustações onde a principal proposta é, em torno de grandes vinhos e boa comida, conversar, se divertir, conhecer coisas novas... Nestas ocasiões aproveitamos para, a partir de um tipo de prato específico, experimentar vinhos por país ou região ou tipo ou uva... Em geral degustamos grandes vinhos, mas algumas vezes temos surpresas na mesma proporção, isto é, ocasiões em que a fama de um rótulo não faz jus ao que está no copo, ou melhor, quando um rótulo sem grandes pretensões atrai atenção.

 

Um exemplo disso ocorreu em uma das duas mais recentes degustações que fizemos, com os temas Espanha e Portugal. Na primeira delas, dedicada aos grandes tintos da Espanha, degustamos Valduero Gran Reserva 1991 (Rioja), Mas Igneus 1998 (Priorato), Dalmau Reserva 1999 (Rioja), Veja Sicília Valbueña 1998 (Ribeira del Duero), Veja Sicília Valbueña 2000 (Ribeira del Duero), La Flor de Pingus 2000 (Ribeira del Duero) e Vall Llach Idus 2002 (Priorato). Foi uma disputa acirrada, onde o Vall Llach Idus ganhou por pequena margem do Vega Sicília Valbueña 1998 e do Dalmau Reserva 1999, todos na faixa dos 93 pontos ou mais.

 

Na outra degustação, voltada aos portugueses, a surpresa, no caso negativa, apareceu. Primeiro porque a média geral das notas ficou bem abaixo dos espanhóis. E também porque o aclamado Mouchão Tonel 3-4 2003 (Alentejo), que é apontado por muitos especialistas como fabuloso, não fez sucesso com nenhum dos participantes. O campeão da noite foi o Xisto 2004 (Roquete e Cazes, Douro), este sim um rótulo badalado que provou que sua fama se traduz em realidade. Além deles, também degustamos: Casa Ferreirinha Colheita 1998 Sogrape (Douro), Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 Sogrape (Douro) - duas amostras foram servidas, uma totalmente diferente da outra - e o Pedro & Inês 2004 Dão Sul (Dão).



Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h08
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Novamente o Montchenot

Comentei aqui há menos de um ano sobre o Montechenot (http://raul.fagundes.blog.uol.com.br/arch2007-09-09_2007-09-15.html), um vinho argentino do velho estilo, que previlegia a elegância em vez da potência tão comum nos rótulos do Novo Mundo nos últimos tempos. O assunto é polêmico, pois já li muitas críticas ao vinho, por ele ser, "oxidado", "ralo", "sem aroma e sabor" etc. Mas eu tomei o Montchentot Gran Reserva 1996 em Buenos Aires em setembro passado e adorei, achei elegante, fino, complexo, em um estilo bordalês. Por isso, fui procurar e achei algumas garrafas do Montchenot para comprar e trazer para casa.

Pois bem. Abri ontem uma das garrafas do Montchenot que está em minha adega, para acompanhar um arroz com linguiça portuguesa e grão de bico, receita da revista Gula de junho, que seria uma das predileções de D. João VI nos anos em que viveu no Brasil, além dos famosos franguinhos. O arroz ficou maravilhoso, e, se é verdade que D. Joao VI adorava a receita, temos que tirar o chapéu para a figura. E mais uma vez, o Montchenot estava excelente, o que só reforça minha opinião sobre este rótulo esquecido por críticos e consumidores, mas que ainda encanta quem gosta de vinhos ao estilo velho mundo.

 

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 19h19
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Brasil e Argentina 

Acho que é ponto pacífico no mercado que os vinhos brasileiros vêm evoluindo de forma consistente, não apenas entre os já reconhecidos espumantes, mas também nos brancos e tintos. Talvez esta evolução seja mais perceptível entre os chamados vinhos top, nas faixas mais altas de preço, do que entre os básicos. Concordo, mas também acho que nas categorias mais simples a coisa vem melhorando.

Mas meu assunto de hoje é um top brasileiro, mais específicamente o Salton Talento 2002 (corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat), que bebi na semana passada, e sua comparação com um rótulo argentino festejado, o Colomé Estate 2003 (Malbec e Cabernet Sauvignon), produzido na região de Salta.

Tomei o Talento 2002 na hora certa. O vinho estava prontíssimo, com correta evolução, taninos redondos. Mas o que me surpreendeu foi sua elegância, sua finesse. Já tinha tomado algumas vezes o vinho da mesma safra 2002, mas desta vez ele estava bem melhor. Parecia em Cru Bourgeois ou um Petit Chatêau de Bordeaux. Pena que a safra mais recente do Talento, o 2004, não tenha o mesmo pedigree. É bom, mas perdeu o lado Velho Mundo que havia no 2002 e ganhou aquelas características tão comuns aos vinhos do Novo Mundo: muita potência, muito fruta madura, difuculdade de compatibilzação com a comida etc.

Foi justamente isso que percebi ao tomar o Colomé 2003 no dia seguinte. Também já tinha tomado o Colomé em outras oportunidaes, uma delas em uma degustação de "vinhos com carnes", quando ele levou o primeiro lugar. Mas desta vez achei o Colomé totalmente "over". Sobra madeira, sobra fruta madura, sobra potência, sobra intensidade. Falta elegância, falta personalidade. Acho que é um vinho para competições, não para a mesa.

Tenho mais algumas garrafas do Colomé em minha adega, mas nenhuma do Talento 2002. Nunca pensei que um dia diria isso, mas sem dúvida alguma queria que fosse o inverso.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 11h05
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Isenção


Logo que comecei a me interessar mais por vinho, ganhei de um amigo um exemplar do famoso guia do crítico inglês não menos famoso Hugh Johnson, autor de diversos e reconhecidos livros sobre o universo da bebida, entre os quais A História do Vinho e O Atlas Mundial do Vinho.

 

Li o guia do começo ao fim, mas logo em sua apresentação, havia uma nota do autor, deixando bem claro aos leitores que ele mantinha relações comerciais com um ou outro empresário do ramo, como importadores etc. Achei aquilo um exemplo de transparência, de respeito ao leitor e ao mercado.

 

Confesso que, desde então, me sinto incomodado com as relações não tão claras que existem entre formadores de opinião da mídia especializada em vinhos no Brasil e comerciantes envolvidos no setor. Claro que não sou contra que pessoas que conhecem e que entendem de vinho, auxiliem importadores, expositores e restaurantes na seleção de rótulos, na composição de portfólios, em palestras, na formação de cartas de vinho etc. Isso é muito bom, sem dúvida. O que não é bom, não é transparente, não é verdadeiramente honesto com o leitor, é não deixar isso claro, não explicitar estas relações, não avisar o leitor que existem interesses que ligam quem escreve a, muitas vezes, o objeto do texto. Também não quero dizer que aqueles que mantém relações com “os agentes do mercado” não tem isenção, porém, ao não revelar tal relação, certamente eles dão margem a todo tipo de interpretação, verdadeira ou fantasiosa.

 

Poucos, raros até, são os que deixam claro estas relações. Assim, não posso deixar de citar o exemplo positivo da recém-reformulada revista Menu (da Editora Três) e de seu novo colunista Arthur Azevedo (presidente da ABS-SP), que estão colocando no rodapé da coluna do mesmo a menção de que este presta consultoria para a Casa Flora. Parabéns pela transparência.

 

P.S. Uma agência de comunicação empresarial da qual sou sócio foi a responsável pela criação e produção do novo catálogo da Expand.

Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h19
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Chororô e baixaria


Quem não tem competência não se estabelece”, “Cliente/parceiro não tem dono”, “Roupa suja se leva em casa”.

As batidas frases acima cabem perfeitamente para definir a mais recente baixaria do mundo do vinho no Brasil, envolvendo acusações do dono da importadora Terroir contra seus concorrentes.

Recebi, na semana passada e pela 2ª vez, a mala direta enviada pela Terroir para milhares de pessoas, "chorando” a perda de produtores de seu portfolio e acusando os concorrentes de postura antiética e aliciamento/corrupção de profissionais de restaurantes (sommeliers etc.), além de uma tentativa de desqualificar um produtor de renome (no caso, o respeitado chileno Eduardo Chadwick, produtor de grandes vinhos como o Seña, o Vinhedo Chadwick e o Don Maximiano). A coisa piorou com uma nota na Veja SP desta semana, onde, após ser questionado pela revista, o dono da Terroir atirou para todos os lados, dizendo que as práticas antiéticas e desonestas são feitas por todas as importadoras, com exceção, logicamente, dele e de apenas mais uma, a Enoteca Fasano.

 

A tática da “exceção” não é nova em se tratando da Terroir. Vi e li diversas vezes, no passado, o dono da empresa - que se auto-intitula como “O Homem do Vinho” - afirmar que haveria somente três importadoras sérias no mercado de vinhos recheado de oportunistas e aventureiros: ele próprio, a Mistral e a Expand (agora a Mistral deve ter saído da lista, porque está sendo acusada). O bordão era até ironizado no mercado. Uma vez, em uma degustação da ABS-SP, um conhecido diretor da entidade, ao apresentar um importador reconhecido pelo trabalho sério, disse algo assim, entre risos: “segundo um importador, esta empresa não está entre as sérias de mercado, mas a gente acha que sim...”.

 

O mundo do vinho não é um mar de rosas, como querem nos vender muita gente (inclusive alguns que escrevem sobre o assunto). Não é um mercado poético e altruísta, de gente desvinculada de interesses, apaixonada etc. É um negócio como outro qualquer - para o bem e para o mal – onde se desejam resultados, lucros, conquistas. Por isso, nele estão bons e maus produtores, bons e maus importadores, bons e maus profissionais, bons e maus formadores de opinião etc.

 

Em relação às importadoras, não sou “torcedor” de nenhuma, mas cliente de várias, com muitas ressalvas. Acho que quase todas praticam margens muito altas (umas mais, outras menos), culpando, como sempre, a carga tributária brasileira. E ponto.

 

Agora, as acusações da Terroir contra seus concorrentes são, na realidade, chororô de quem perdeu, mais nada. E para a grande maioria dos clientes dela e das outras, o interesse pelo assunto é ZERO. Como diz minha mãe, “eles que são grandes que se entendam”. Mas vamos combinar, não usem a mídia e a propaganda para isso.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h03
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Inverno

 

Confesso que já gostei mais do inverno. Hoje, prefiro muito mais os dias mais amenos, nem muito frios, nem muito quentes. Mas não há como negar que os dias frios são ótimos para tomar vinhos mais estruturados, com mais corpo e potência.

 

Com os dias mais frios da semana passada, aproveitei para exercitar o que mais curto no mundo do vinho, isto é, sua compatibilização com a comida, a descoberta de novas parcerias, de combinações inusitadas etc.

 

No feriado de quinta, dia 1º de maio, preparei um Ossobuco à Ambrosiana, tradicionalíssimo e delicioso, feito como se deve: lentamente, com a carne cozinhando em um caldo com vinho branco, salsão, cenouras, cebolas etc. Para escoltar o vinho, escolhi o Amarone Della Valpolicella Classico 2001 Cesari, um robusto tinto do Venêto. O produtor não é um dos tops da região, mas a safra 2001 foi boa (nota 7), e o vinho estava perfeito com o Ossobuco. Complexo, longo, rico. Belo casamento, pois a riqueza e estrutura do vinho sustentou perfeitamente o peso do Ossobuco.

 

Como o frio teimou em permanecer presente, não tive como resistir e domingo foi dia de outro clássico, dessa vez da França. Preparei um Beauf Bourguignonne, tradicional cozido da região da Borgonha feito com vinho tinto (de preferência da mesma região), também com longo tempo na panela. Como qualquer vinho da Borgonha é caro, acabei usando outro mais simples para preparar a receita, e por isso, decidi experimentar um tinto de Bordeaux com o prato, o Château Petit Clos Du Roy 1999 (por volta de R$ 80,00 no Club du Taste Vin), um Saint Emilion genérico de boa relação qualidade/preço, com notas terrosas, musgo, violetas. Também foi uma boa compatibilização, com a elegância do vinho bem casada com os sabores mais delicados do prato.

Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h13
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O envelhecimento dos brancos

Em sua grande maioria, os vinhos brancos não são aptos ao envelhecimento, certo? Certo, a maioria das pessoas que gosta de vinho sabe disso e procura sempre comprar rótulos de safras mais recentes. Isso porque, as melhores caractarísticas de um branco são seu frescor, sua jovialidade e acidez, qualidades que ele vai perdendo com o passar dos anos.

Entretanto, e como sempre, existem exceções. O famoso Montrachet (que nunca tive o prazer de tomar) envelhece bem muitos anos ou décadas, assim como o Corton Charlemagne. Não por acaso são dois tops da Borgonha. Mas há outros, como muitos Chardonnays, além dos espanhóis, como o ícone Viña Tondonia (outro que ainda não consegui experiementar).

Estou tocando no assunto porque recentemente tive duas surpresas como vinhos brancos no quesito envelhecimento. Tinha em casa, já há algum tempo, um Chardonnay do Robert Mondavi (EUA) da Safra 1998. Achei que estava passado, mas resolvi arriscar para acompanhar um risoto de bacalhau. E não é que o branco estava muito bom! Claro que estava bastante evoluído, mas conservava sua potência (tão comum nos Chardonnays americanos) e havia ganhado certa elegância e complexidade pelos 10 anos de guarda.

O mesmo não aconteceu com um Luis Pato Vinha Formal 2003 que abri no último fim de semana. O vinho, que tem menos de 5 anos e ainda é oferecido pela importadora Mistral nesta mesma safra em seu catálogo, estava passado, claramente a caminho da oxidação, já em decadência. Parecia um colheita tardia, espesso, com notas de damascos, amarelo ouro intenso. Claro que ainda estava "bebível", mas perdera seu encanto muito cedo. Isso em um vinho que é o top na ala dos brancos do produtor português. Fiquei realmente surpreso, embora considere muito a possibilidade do vinho ter sofrido muito - antes de chegar na minha adega - em armazéns com alta temperatura etc.

Mas fica o registro. Nem sempre um branco top relativamente jovem ainda está bom e nem sempre aquele branco encostado que você vê nas promoções - com safra de 8, 10 anos atrás - já era.

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 18h10
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