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Notas do Raul (vinhos e gastronomia)


Malbec x Malbec


Sou um crítico dos Malbecs argentinos. Não de todos, é lógico, mas sim daqueles com muita fruta, muita madeira, muito álcool, muito potentes, enfim, enjoativos. Os vinhos “geléia de frutas” que alguns críticos comentam. Acho que o problema está na linha média, e, claro, na básica, já que entre os vinhos mais caros, a maioria realmente tem qualidade.

 

Mas e os Malbecs franceses da região de Cahors? Já ouvi de tudo sobre eles. Uns falam que são muito superiores aos argentinos, outros dizem que são vinhos rústicos, sem graça...

 

Nunca tinha experimentado um Malbec da França até a semana passada. E o fiz justamente um dia depois de tomar, um dia antes, um Malbec argentino. São coisas totalmente diferentes e deve dizer que, mais uma vez, sou mais a França.

 

O argentino foi o Zuccardi Série A Malbec 2006, de Mendoza, que ganhei recentemente. Bebi o vinho acompanhando um churrasco de picanha. É um vinho normal, como dezenas que encontramos por aí entre os rótulos vindos do país vizinho. O tipo de vinho over, onde sobra tudo e falta elegância. Custa R$ 55,00 na Expand.

 

O francês foi o Château Pineraie 2001, de Cahors, que tomei acompanhando um cordeiro assado com batatas. Embora não seja um grande vinho, mesmo porque seu custo é bem acessível (por volta de R$ 60,00 no Club du Taste Vin), é um vinho correto, com boa acidez e corpo, fruta e madeira na medida certa, elegante.

 

Foi interessante comparar os Malbecs dos dois países, pois além da pouca oferta de franceses desta cepa por aqui, os Malbecs não têm fama fora da Argentina, embora existem vinhos produzidos com ela em outros países, como o Chle, por exemplo. Seria ótimo repetir a dose, agora de forma mais estruturada, com vinhos da faixa mais alta, colocando frente a frente um top argentino (Catena Zapata Estiba Reservada, Achaval Ferrer Finca Altamira, Val de Flores etc.) contra um Château du Cedre Lê Cèdre (R$ 220,00 na World Wine), por exemplo. Seria uma bela prova!



Escrito por Raul Fagundes Neto às 13h53
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Cordeiro dos deuses com show de Shiraz australianos


A casa de carnes Varanda foi palco na semana passada de uma noite especial. A convite do proprietário da casa Sylvio Lazzarini, eu e um grupo de companheiros fizemos uma dupla degustação: cortes de cordeiro com Shiraz top da Austrália. Foi um show!

 

Para começar, o Cordeiro.  Inquieto e sempre em busca do melhor para sua casa, Lazzarini encontrou e está trazendo para o Varanda, diretamente do Sul do Chile, na chamada Terra Del Fuego, um produto de altíssima qualidade, os cordeiros da marca Simunovic. Degustamos três cortes ótimos: paleta, pernil e costeleta. Posso dizer, com certeza, que foram as melhores carnes de cordeiro que já comi, especialmente a paleta. Sem igual.

 

Para acompanhar as carnes, fizemos uma degustação de Shiraz australianos. E aí a coisa ficou mais séria ainda. Passaram por nossa mesa Mitolo Reiver 2005, D’Arenberg The Dead Arm 2003, Penfolds RWT 1998, Penfolds Grange 2002 (isso mesmo!!!!) e St. Hallet Faith 2002.

 

Todos os vinhos eram relativamente jovens e poderiam envelhecer muito bem por vários anos, mas já estavam excelentes. A disputa foi muito equilibrada (na nota dos degustadores, a diferença entre os cinco vinhos foi de 3 a 4 pontos, no máximo), mas o Grange e The Dead Arm estavam imbatíveis.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h48
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Degustações


Junto com um grupo de amigos participo regularmente de degustações onde a principal proposta é, em torno de grandes vinhos e boa comida, conversar, se divertir, conhecer coisas novas... Nestas ocasiões aproveitamos para, a partir de um tipo de prato específico, experimentar vinhos por país ou região ou tipo ou uva... Em geral degustamos grandes vinhos, mas algumas vezes temos surpresas na mesma proporção, isto é, ocasiões em que a fama de um rótulo não faz jus ao que está no copo, ou melhor, quando um rótulo sem grandes pretensões atrai atenção.

 

Um exemplo disso ocorreu em uma das duas mais recentes degustações que fizemos, com os temas Espanha e Portugal. Na primeira delas, dedicada aos grandes tintos da Espanha, degustamos Valduero Gran Reserva 1991 (Rioja), Mas Igneus 1998 (Priorato), Dalmau Reserva 1999 (Rioja), Veja Sicília Valbueña 1998 (Ribeira del Duero), Veja Sicília Valbueña 2000 (Ribeira del Duero), La Flor de Pingus 2000 (Ribeira del Duero) e Vall Llach Idus 2002 (Priorato). Foi uma disputa acirrada, onde o Vall Llach Idus ganhou por pequena margem do Vega Sicília Valbueña 1998 e do Dalmau Reserva 1999, todos na faixa dos 93 pontos ou mais.

 

Na outra degustação, voltada aos portugueses, a surpresa, no caso negativa, apareceu. Primeiro porque a média geral das notas ficou bem abaixo dos espanhóis. E também porque o aclamado Mouchão Tonel 3-4 2003 (Alentejo), que é apontado por muitos especialistas como fabuloso, não fez sucesso com nenhum dos participantes. O campeão da noite foi o Xisto 2004 (Roquete e Cazes, Douro), este sim um rótulo badalado que provou que sua fama se traduz em realidade. Além deles, também degustamos: Casa Ferreirinha Colheita 1998 Sogrape (Douro), Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 Sogrape (Douro) - duas amostras foram servidas, uma totalmente diferente da outra - e o Pedro & Inês 2004 Dão Sul (Dão).



Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h08
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Novamente o Montchenot

Comentei aqui há menos de um ano sobre o Montechenot (http://raul.fagundes.blog.uol.com.br/arch2007-09-09_2007-09-15.html), um vinho argentino do velho estilo, que previlegia a elegância em vez da potência tão comum nos rótulos do Novo Mundo nos últimos tempos. O assunto é polêmico, pois já li muitas críticas ao vinho, por ele ser, "oxidado", "ralo", "sem aroma e sabor" etc. Mas eu tomei o Montchentot Gran Reserva 1996 em Buenos Aires em setembro passado e adorei, achei elegante, fino, complexo, em um estilo bordalês. Por isso, fui procurar e achei algumas garrafas do Montchenot para comprar e trazer para casa.

Pois bem. Abri ontem uma das garrafas do Montchenot que está em minha adega, para acompanhar um arroz com linguiça portuguesa e grão de bico, receita da revista Gula de junho, que seria uma das predileções de D. João VI nos anos em que viveu no Brasil, além dos famosos franguinhos. O arroz ficou maravilhoso, e, se é verdade que D. Joao VI adorava a receita, temos que tirar o chapéu para a figura. E mais uma vez, o Montchenot estava excelente, o que só reforça minha opinião sobre este rótulo esquecido por críticos e consumidores, mas que ainda encanta quem gosta de vinhos ao estilo velho mundo.

 

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 19h19
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Brasil e Argentina 

Acho que é ponto pacífico no mercado que os vinhos brasileiros vêm evoluindo de forma consistente, não apenas entre os já reconhecidos espumantes, mas também nos brancos e tintos. Talvez esta evolução seja mais perceptível entre os chamados vinhos top, nas faixas mais altas de preço, do que entre os básicos. Concordo, mas também acho que nas categorias mais simples a coisa vem melhorando.

Mas meu assunto de hoje é um top brasileiro, mais específicamente o Salton Talento 2002 (corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat), que bebi na semana passada, e sua comparação com um rótulo argentino festejado, o Colomé Estate 2003 (Malbec e Cabernet Sauvignon), produzido na região de Salta.

Tomei o Talento 2002 na hora certa. O vinho estava prontíssimo, com correta evolução, taninos redondos. Mas o que me surpreendeu foi sua elegância, sua finesse. Já tinha tomado algumas vezes o vinho da mesma safra 2002, mas desta vez ele estava bem melhor. Parecia em Cru Bourgeois ou um Petit Chatêau de Bordeaux. Pena que a safra mais recente do Talento, o 2004, não tenha o mesmo pedigree. É bom, mas perdeu o lado Velho Mundo que havia no 2002 e ganhou aquelas características tão comuns aos vinhos do Novo Mundo: muita potência, muito fruta madura, difuculdade de compatibilzação com a comida etc.

Foi justamente isso que percebi ao tomar o Colomé 2003 no dia seguinte. Também já tinha tomado o Colomé em outras oportunidaes, uma delas em uma degustação de "vinhos com carnes", quando ele levou o primeiro lugar. Mas desta vez achei o Colomé totalmente "over". Sobra madeira, sobra fruta madura, sobra potência, sobra intensidade. Falta elegância, falta personalidade. Acho que é um vinho para competições, não para a mesa.

Tenho mais algumas garrafas do Colomé em minha adega, mas nenhuma do Talento 2002. Nunca pensei que um dia diria isso, mas sem dúvida alguma queria que fosse o inverso.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 11h05
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Isenção


Logo que comecei a me interessar mais por vinho, ganhei de um amigo um exemplar do famoso guia do crítico inglês não menos famoso Hugh Johnson, autor de diversos e reconhecidos livros sobre o universo da bebida, entre os quais A História do Vinho e O Atlas Mundial do Vinho.

 

Li o guia do começo ao fim, mas logo em sua apresentação, havia uma nota do autor, deixando bem claro aos leitores que ele mantinha relações comerciais com um ou outro empresário do ramo, como importadores etc. Achei aquilo um exemplo de transparência, de respeito ao leitor e ao mercado.

 

Confesso que, desde então, me sinto incomodado com as relações não tão claras que existem entre formadores de opinião da mídia especializada em vinhos no Brasil e comerciantes envolvidos no setor. Claro que não sou contra que pessoas que conhecem e que entendem de vinho, auxiliem importadores, expositores e restaurantes na seleção de rótulos, na composição de portfólios, em palestras, na formação de cartas de vinho etc. Isso é muito bom, sem dúvida. O que não é bom, não é transparente, não é verdadeiramente honesto com o leitor, é não deixar isso claro, não explicitar estas relações, não avisar o leitor que existem interesses que ligam quem escreve a, muitas vezes, o objeto do texto. Também não quero dizer que aqueles que mantém relações com “os agentes do mercado” não tem isenção, porém, ao não revelar tal relação, certamente eles dão margem a todo tipo de interpretação, verdadeira ou fantasiosa.

 

Poucos, raros até, são os que deixam claro estas relações. Assim, não posso deixar de citar o exemplo positivo da recém-reformulada revista Menu (da Editora Três) e de seu novo colunista Arthur Azevedo (presidente da ABS-SP), que estão colocando no rodapé da coluna do mesmo a menção de que este presta consultoria para a Casa Flora. Parabéns pela transparência.

 

P.S. Uma agência de comunicação empresarial da qual sou sócio foi a responsável pela criação e produção do novo catálogo da Expand.

Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h19
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Chororô e baixaria


Quem não tem competência não se estabelece”, “Cliente/parceiro não tem dono”, “Roupa suja se leva em casa”.

As batidas frases acima cabem perfeitamente para definir a mais recente baixaria do mundo do vinho no Brasil, envolvendo acusações do dono da importadora Terroir contra seus concorrentes.

Recebi, na semana passada e pela 2ª vez, a mala direta enviada pela Terroir para milhares de pessoas, "chorando” a perda de produtores de seu portfolio e acusando os concorrentes de postura antiética e aliciamento/corrupção de profissionais de restaurantes (sommeliers etc.), além de uma tentativa de desqualificar um produtor de renome (no caso, o respeitado chileno Eduardo Chadwick, produtor de grandes vinhos como o Seña, o Vinhedo Chadwick e o Don Maximiano). A coisa piorou com uma nota na Veja SP desta semana, onde, após ser questionado pela revista, o dono da Terroir atirou para todos os lados, dizendo que as práticas antiéticas e desonestas são feitas por todas as importadoras, com exceção, logicamente, dele e de apenas mais uma, a Enoteca Fasano.

 

A tática da “exceção” não é nova em se tratando da Terroir. Vi e li diversas vezes, no passado, o dono da empresa - que se auto-intitula como “O Homem do Vinho” - afirmar que haveria somente três importadoras sérias no mercado de vinhos recheado de oportunistas e aventureiros: ele próprio, a Mistral e a Expand (agora a Mistral deve ter saído da lista, porque está sendo acusada). O bordão era até ironizado no mercado. Uma vez, em uma degustação da ABS-SP, um conhecido diretor da entidade, ao apresentar um importador reconhecido pelo trabalho sério, disse algo assim, entre risos: “segundo um importador, esta empresa não está entre as sérias de mercado, mas a gente acha que sim...”.

 

O mundo do vinho não é um mar de rosas, como querem nos vender muita gente (inclusive alguns que escrevem sobre o assunto). Não é um mercado poético e altruísta, de gente desvinculada de interesses, apaixonada etc. É um negócio como outro qualquer - para o bem e para o mal – onde se desejam resultados, lucros, conquistas. Por isso, nele estão bons e maus produtores, bons e maus importadores, bons e maus profissionais, bons e maus formadores de opinião etc.

 

Em relação às importadoras, não sou “torcedor” de nenhuma, mas cliente de várias, com muitas ressalvas. Acho que quase todas praticam margens muito altas (umas mais, outras menos), culpando, como sempre, a carga tributária brasileira. E ponto.

 

Agora, as acusações da Terroir contra seus concorrentes são, na realidade, chororô de quem perdeu, mais nada. E para a grande maioria dos clientes dela e das outras, o interesse pelo assunto é ZERO. Como diz minha mãe, “eles que são grandes que se entendam”. Mas vamos combinar, não usem a mídia e a propaganda para isso.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h03
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Inverno

 

Confesso que já gostei mais do inverno. Hoje, prefiro muito mais os dias mais amenos, nem muito frios, nem muito quentes. Mas não há como negar que os dias frios são ótimos para tomar vinhos mais estruturados, com mais corpo e potência.

 

Com os dias mais frios da semana passada, aproveitei para exercitar o que mais curto no mundo do vinho, isto é, sua compatibilização com a comida, a descoberta de novas parcerias, de combinações inusitadas etc.

 

No feriado de quinta, dia 1º de maio, preparei um Ossobuco à Ambrosiana, tradicionalíssimo e delicioso, feito como se deve: lentamente, com a carne cozinhando em um caldo com vinho branco, salsão, cenouras, cebolas etc. Para escoltar o vinho, escolhi o Amarone Della Valpolicella Classico 2001 Cesari, um robusto tinto do Venêto. O produtor não é um dos tops da região, mas a safra 2001 foi boa (nota 7), e o vinho estava perfeito com o Ossobuco. Complexo, longo, rico. Belo casamento, pois a riqueza e estrutura do vinho sustentou perfeitamente o peso do Ossobuco.

 

Como o frio teimou em permanecer presente, não tive como resistir e domingo foi dia de outro clássico, dessa vez da França. Preparei um Beauf Bourguignonne, tradicional cozido da região da Borgonha feito com vinho tinto (de preferência da mesma região), também com longo tempo na panela. Como qualquer vinho da Borgonha é caro, acabei usando outro mais simples para preparar a receita, e por isso, decidi experimentar um tinto de Bordeaux com o prato, o Château Petit Clos Du Roy 1999 (por volta de R$ 80,00 no Club du Taste Vin), um Saint Emilion genérico de boa relação qualidade/preço, com notas terrosas, musgo, violetas. Também foi uma boa compatibilização, com a elegância do vinho bem casada com os sabores mais delicados do prato.

Escrito por Raul Fagundes Neto às 14h13
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O envelhecimento dos brancos

Em sua grande maioria, os vinhos brancos não são aptos ao envelhecimento, certo? Certo, a maioria das pessoas que gosta de vinho sabe disso e procura sempre comprar rótulos de safras mais recentes. Isso porque, as melhores caractarísticas de um branco são seu frescor, sua jovialidade e acidez, qualidades que ele vai perdendo com o passar dos anos.

Entretanto, e como sempre, existem exceções. O famoso Montrachet (que nunca tive o prazer de tomar) envelhece bem muitos anos ou décadas, assim como o Corton Charlemagne. Não por acaso são dois tops da Borgonha. Mas há outros, como muitos Chardonnays, além dos espanhóis, como o ícone Viña Tondonia (outro que ainda não consegui experiementar).

Estou tocando no assunto porque recentemente tive duas surpresas como vinhos brancos no quesito envelhecimento. Tinha em casa, já há algum tempo, um Chardonnay do Robert Mondavi (EUA) da Safra 1998. Achei que estava passado, mas resolvi arriscar para acompanhar um risoto de bacalhau. E não é que o branco estava muito bom! Claro que estava bastante evoluído, mas conservava sua potência (tão comum nos Chardonnays americanos) e havia ganhado certa elegância e complexidade pelos 10 anos de guarda.

O mesmo não aconteceu com um Luis Pato Vinha Formal 2003 que abri no último fim de semana. O vinho, que tem menos de 5 anos e ainda é oferecido pela importadora Mistral nesta mesma safra em seu catálogo, estava passado, claramente a caminho da oxidação, já em decadência. Parecia um colheita tardia, espesso, com notas de damascos, amarelo ouro intenso. Claro que ainda estava "bebível", mas perdera seu encanto muito cedo. Isso em um vinho que é o top na ala dos brancos do produtor português. Fiquei realmente surpreso, embora considere muito a possibilidade do vinho ter sofrido muito - antes de chegar na minha adega - em armazéns com alta temperatura etc.

Mas fica o registro. Nem sempre um branco top relativamente jovem ainda está bom e nem sempre aquele branco encostado que você vê nas promoções - com safra de 8, 10 anos atrás - já era.

 



Escrito por Raul Fagundes Neto às 18h10
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Dois bons exemplares do Velho Mundo

 

Concordo que os vinhos do novo mundo vêm se tornando melhores a cada dia, sejam eles norte-americanos, australianos, sul-africanos, neozelandeses, chilenos ou argentinos. Gosto de muitos deles, mas o Velho Mundo é o Velho Mundo, por isso ainda continuo bebendo muito mais vinhos franceses, italianos, espanhóis e portugueses.

 

Recentemente tomei dois exemplares que recomendo, pois valem cada centavo.

 

Um deles é o Pétalos del Bierzo, produzido por Álvaro Palácios na região de espanhola de Bierzo (Castilla y León) a partir da rara uva Mencia (dizem ser parente da Cabernet Franc). É um vinho encantador, que alia toques de modernidade com elegância, refinamento. Por vezes parece um Cru Bourgeois, outras tantas lembra um tinto do Loire. Tomei a safra 2003, que já não está mais à venda, mas acredito que as safras mais recentes (2004, 2005 e 2006) seguem o mesmo tom. Custa U$ 45,00 na Mistral (www.mistral.com.br).

 

Também tomei alguns dias atrás foi um Bordeaux genérico, o Baron Nathaniel Pauillac 2000, feito pela tradicional casa Baron Philippe de Rothschild. Um belo tinto, intenso, cheio de frutas, com notas de tabaco, redondo, mas muito elegante, com algo raro nos dias de hoje: apenas 12,5% de álcool. Escoltou perfeitamente uma paleta de cordeiro ao forno com batatas. Custa perto de R$ 140,00 na Casa do Porto (Fone: 11- 3061-3003).



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h40
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Magistrale: mais um italiano em SP

 

Adoro comida italiana e por isso não poderia deixar de conhecer o Magistrale, restaurante recém-inaugurado em São Paulo pelo competente Sylvio Lazzarini, dono do Varanda Grill. O novo restaurante fica ao lado do Varanda, no bairro do Itaim, onde antes funcionava uma casa mais simples, o Ansienne Cuisine.

 

Mas, se afirmo e reafirmo que, em minha opinião, o Varanda tem a melhor carne de São Paulo (muito à frente do festejado/premiado Rubaiyat), o mesmo não posso afirmar do Magistrale. A comida é boa, não ótima. O ambiente é legal, de bom gosto, mas falta alguma coisa. Parece que foi adaptado demais (ou de menos). A oferta de vinhos está muito longe do padrão que fez a fama do Varanda, com cerca de 90% dos vinhos de origem italiana e alguns poucos franceses. A oferta em taça é muito limitada: dois tintos e dois brancos, com preços diametralmente opostos. Um Valpolicella por 17 reais a taça com (apenas) 170 ml. E um Barolo Batasiolo por 45 reais a taça.

 

O chef do Magistrale é o italiano Augusto Piras, que está no Brasil há vários anos e já passou por diversos restaurantes. O último deles foi o Al Mirto. Estive no Al Mirto quando ele estava lá e achei a comida boa. Voltei ao Al Mirto recentemente, agora sob a batuta do chef Russo. A comida melhorou algumas léguas, está ótima. Recomendo!

 

Sempre é bom ter mais uma opção de boa comida italiana em São Paulo, onde já existem mais de uma dezena de casas de alto nível, das mais caros às mais em conta: Fasano, Pomodori, La Vecchia Cucina, Vechio Torino, Al Mirto, Aguzzo, Piselli, Due Couchi, Emiliano, Gero, Magari, Vinheria Percussi....

 

O Magistrale – que tem preço médio similar com Due Couchi, Piselli, Aguzzo etc. - tem tudo para dar certo, pois quem está no comando da casa entende do riscado. Mas a concorrência é grande e a tarefa não será fácil. Ajustes são necessários.

Escrito por Raul Fagundes Neto às 16h36
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Pinot Noir: Borgonha e EUA

 

Confesso que, até dois anos atrás, os vinhos feitos com Pinot Noir eram um enorme ponto de interrogação para mim. Já tinha experimentado um ou outro tinto desta cepa, mas nunca achei nada demais, certamente porque só havia provado um ou dois pinots do Chile e  alguns exemplares bem simples da Borgonha.

 

Isso começou a mudar quando participei de um evento da Mistral e degustei grandes borgonhas produzidos por Joseph Drouhin, um dos mais respeitados produtores e negociantes da região. Achei os vinhos, desde os mais básicos até os Premiers Crus e Grands Crus, muito bons, alguns fantásticos, pela complexidade, elegância, leveza.


Desde então tenho procurado conhecer mais o mundo dos vinhos produzidos com pinot noir, em especial os da Borgonha, em que pese o preço altíssimo destes vinhos aqui no Brasil. Me arrisco a comprar, em algumas ocasiões, um Premier Cru de um produtor não estrelado, de crus menos badalados, ou então, vou atrás de algumas promoções interessantes. Recentemente, em um jantar-degustação com amigos batizado de “aves da França com vinhos franceses”, um Borgonha que levei, o Corton Lês Renardes Grand Cru 1999 (produzido por Anne-Marie Gille), foi considero o vinho da noite por unanimidade, deixando para traz dois grandes Chateauneuf du Pape (entre os quais o Clos des Papes 2005, considerado o melhor vinho do mundo pela Wine Spectator) e um Bordeuax do Pomerol. Logicamente todos os vinhos eram fantásticos, mas o Corton encantou pela sutileza, elegância, complexidade.

 

Mas são somente os Borgonhas têm me encantado. Tenho tomado vários pinots dos Estados Unidos, tanto do Oregon quando da Califórnia. Alguns são excelentes, longevos, intensos, os melhores produzidos fora da Borgonha. Há alguns meses tomei um Robert Mondavi Coastal Pinot Noir 1997 que estava muito bom com 11 anos de vida, mas o destaque mesmo foi o vinho que bebi no último domingo, saboreando uma codorna recheada com cogumelos no restuarante Al Mirto, em São Paulo. O exemplar era o Don Miguel Vineyard Pinot Noir 1997 Marinar Torres Estate (grupo espanhol Miguel Torres), oriundo de vinhedos localizados na região de Russian River Valley, na Califórnia. Um grande vinho, também com 11 anos, mas que ainda suportaria mais dois ou três de garrafa. Aromas de couro, musgo, flores secas. Complexo, elegante, longo.

 

A cada dia que passa e quando mais eu experimento os vinhos produzidos nos Estados Unidos, mais eu me lembro de uma afirmação de Nicolás Catena, para quem os Estados Unidos produzem hoje os melhores vinhos do mundo, ao lado da França, logicamente. Em minha opinião não há como negar, isso é um fato.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 17h04
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Vinho e comida

A harmonização de vinho e comida é um assunto que muitas vezes gera discussões intermináveis e até apaixonadas. Que vinho acompanha melhor um magret de canard, por exemplo? E o bacalhau, é melhor com branco ou com tinto? Carne de porco vai bem com...? Chocalate combina mesmo com algum vinho? Estas e outras questões surgem a todo momento quando pensamos em compatibilzar vinho e comida, e, muitas vezes, suas respostas dependem de uma série de fatores, como forma de preparação, molho, tempero etc. Na realidade, acho que isso é o que existe de mais legal e prazeroso em gostar de vinho.

Buscar a harmonização, escolher um vinho para combinar com a comida que está sendo feita na cozinha, ou então, pensar no que vamos comer a partir do vinho que queremos beber, são coisas fascinantes que pratico com regularidade. Gosto de cozinhar e quando penso em fazer alguma coisa, logo começo a avaliar que vinho sacar da adega para acompanhar a refeição. Muitas vezes dá certo, outras dá errado.

Citei o caso do bacalhau porque esta questão sempre aparece quando estou preparando e comendo este prato maravilhoso. Primeiro um parênteses: acho que na maioria das vezes comemos bacalhau com excesso de sal, isto é, o peixe não é corretamente dessalgado nos restaurantes ou em casa. Isso interfere muito no sabor e na consistência do prato, na digestão e na compatibilização com o vinho. Por isso, sempre que preparo bacalhau em casa tiro praticamente todo o sal do produto, deixando-o 3 ou 4 dias em água (torcada várias vezes ao dia) dentro da geladeira. Se ficar completamente sem sal, basta colocar um pouco na preparação, o que, convenhamos, é melhor do que aquele bacalhau salgado que te faz beber água o resto do dia.

Mas voltando ao vinho, até uns dois anos atrás só tomova vinho tinto com bacalhau, uma vez que o prato é pesado, apesar de ser um peixe. Mas nos últimos tempos - tendo em vista o verão bravo que temos por aqui - comecei a preferir os brancos, desde os portugueses e espanhóis, até os originários do novo mundo feitos com Chardonnay. Hoje prefiro os brancos, sem dúvida nenhuma, embora continue encarando o casamento bacalhau/vinho tinto com muto boa vontade.

Na semana passada minha esposa preparou em casa um bacalhau na panela (com muito azeite, batatas pré-cozidas, cebolas, grão-de-bico, pimentão, ovos e alecrim). Escolhi para acompanhar o brasileiro Villa Francioni Chardonnay 2006 (por volta de R$ 60,00). Belo casamento que recomendo! E chega de papo que já me deu fome.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 06h06
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Chile

 

Como comentei aqui em dezembro, no final de janeiro passei alguns dias no Chile. É a terceira vez que vou para lá. Primeiro porque acho Santiago uma bela cidade, cada vez mais moderna. Depois, logicamente, pelos vinhos chilenos, que eu ainda aprecio mais do que os argentinos. Por último, a cozinha que se pratica em Santiago, que vem melhorando muito nos últimos anos.

 

Vinhos


Tomei muitos vinhos no Chile, mas os que mais me encantaram foram os originários das regiões mais frias, em especial do Valle de San Antonio, que fica muito próximo ao Oceano Pacífico. Estive na Matetic, que vem produzindo um belo Syrah, um bom Pinot Noir e bons Sauvignon Blanc.

 

Além da Matetic, o San Antonio abriga outras vinícolas que já fazem sucesso no Brasil, como a Viña Leyda, a Viña Garcés (gosto dos brancos deles, mas não Pinot Noir) e a Casa Marin, que produz um grande branco, o Cipreses Sauvignon Blanc, recentemente indicado por um leitor do blog. O Cipreses 2006 foi apontado pelo famoso jornalista/crítico Patrício Tapia como o melhor branco do Chile no Guia Descorchados 2008, que acabou de ser publicado por lá.

 

Em minha estada lá também visitei a Viña Santa Rita, famosa pelo Casa Real, sem dúvida um grande vinho. Confesso que não achei nada demais nos vinhos que tomei lá. Achei todos muito alcoólicos, exuberantes, vinhos “porrada”, sem elegância.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 16h27
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Chile: Guias de vinhos

 

Além do Descorchados, que é famoso aqui no Brasil, sendo constantemente citado na imprensa especializada, o Chile tem outro guia que, ao que parece, tem mais “moral” por lá, em especial entre os sommeliers dos restaurantes. É o Guia de Vinos de Chile, que, de fato, é mais completo que o Descorchados, embora este tenha uma linguagem mais voltada ao consumidor final.

Não importa. Minha dica para quem vai ao Chile é comprar um deles logo ao chegar, porque são bons indicadores do que é melhor beber.



Escrito por Raul Fagundes Neto às 16h27
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